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Sobre o Teatro Essencial

Por Wagner Montenegro

 

Para Boal, o teatro é a primeira invenção humana e tornou possíveis todas as outras. O teatro nasce quando o ser humano descobre a sua capacidade de se ver no exato momento em que age e essa capacidade, de “ver-se em ação”, levou à descoberta do “ver-se em situação”, quando a humanidade descobriu que pode se ver no ato de ver.

Esse poder de abstração tipicamente humano cria a tríade “EU observador, EU em situação, e o Não-EU, isto é, o OUTRO”. Mulheres e homens, segundo pensa Boal, são os únicos animais que conseguem se observar num espelho imaginário e essa é a essência do fenômeno teatral: o ser humano que se auto-observa.

Em Boal, a linguagem teatral é linguagem humana e, por isso, é utilizada por todas as pessoas. Não apenas os espetáculos teatrais são teatro. Tudo na vida é teatro: as aulas, os aniversários, os funerais, os casamentos, as audiências públicas, os juizados, o jantar em família, o sexo. Tudo isso é teatro. Teatro não tem nada a ver com o espaço físico que recebe os espetáculos. Como dizia Boal, “teatro é forma de vida”.

O gato, quando vê um rato, caça-o instintivamente. O cachorro, vendo o gato, persegue-o, com todas as suas vontades, mas nenhum deles é capaz de se auto-observar. Os outros animais, “irracionais”, não conseguem observar e analisar a si mesmos em ação. Foi essa capacidade que permitiu ao ser humano a virtude da representação.

Quando homens e mulheres pré-históricos caçavam, tinham a habilidade de se ver caçando, é por isso que podiam pintar as paredes das cavernas — eles mesmos, no ato de caçar.

O bem-te-vi que visita a minha casa todas as manhãs canta feliz, mas o faz do mesmo jeito que sente fome e se alimenta; tem sede, bebe água; sente vontade de fazer cocô e faz. Mas não entende nada de música. Não consegue compreender os sons, os acordes, a melodia… simplesmente obedece aos instintos, à sua natureza. Esse mesmo bem-te-vi jamais vai imitar o som do galo-de-campina do meu tio, que passou a vida inteira preso numa gaiola 20 por 20, tendo o mundo imenso para voar lá fora, e eu aqui pensando que ele cantava de tristeza.

Nós, seres humanos, aprendemos a imitar os outros animais. Conseguimos reproduzir sons, formas, passos, comportamentos… Conseguimos até projetar nossos próprios sentimentos no canto dos outros animais. É assim que nasce o teatro: o Teatro Essencial.

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